A Extraordinária Jornada de João Tiago Aguiar: Onde a Arquitetura se Encontra com o Futebol e a Paixão

Quando entramos no atelier liderado pelo arquiteto João Tiago Aguiar, somos impactados com provas físicas das suas paixões: a bola de futebol e as fotografias das casas que projetou com modelos muito especiais (a mulher e os filhos). João Tiago Aguiar conseguiu mesmo criar uma ligação única e especial entre o desporto e a arquitetura. As oportunidades cruzaram-se: no mesmo ano ganhou o concurso para desenhar um grande hotel e conseguiu que a sua equipa subisse de divisão.

Depois deste início "em grande", o atelier trabalhou em todo o tipo de tipologias, incluindo habitação, restauração, serviços, interiores e até mobiliário. Neste caminho, recebeu diversos prémios, como o "Surface Design Awards" no Reino Unido por duas vezes, o prémio RENOV 2015 do concelho de Oeiras e foi finalista em várias categorias dos prémios "Archdaily".

Em 2020, foi distinguido com o "Best of 2020" pelo website Archello. Em 2021, recebeu o Prémio SIL pelo projeto Avencas Ocean View Residences e o Prémio Construir pela reabilitação da Maison Eduardo Coelho. Em 2022, o atelier foi novamente reconhecido com o Prémio Nacional do Imobiliário pelo projeto Avencas Ocean View Residences e com o Prémio SIL pela Maison Eduardo Coelho.

Durante a conversa com um jornalista, foi possível sentir a ligação emocional do arquiteto com o seu trabalho. João Tiago Aguiar é transparente. Uma palavra transversal: independentemente do orçamento, acredita que nada deve querer parecer algo que não é.

Como começou a sua relação com a arquitetura? Foi algo que sempre imaginou seguir?

Não, de todo. Eu sou o mais novo de seis irmãos e sempre gostei muito de desenhar, mas adorava desporto. Praticava várias modalidades mas, quando pensava no futuro, via que seguir desporto significava ser professor de Educação Física, e isso não queria. Os meus irmãos insistiam: “Tens jeito para desenho, devias ir para arquitetura.” Mas o meu pai não estava convencido. Dizia: “Arquitetura não tem matemática, tens que ir para Engenharia.”

Fiz exames para Engenharia Civil no Técnico, mas, no momento de escolher a primeira opção, segui a minha intuição e escolhi arquitetura. Foi um pouco à revelia do meu pai, mas foi a melhor decisão.

E como foi a sua experiência inicial no mercado de trabalho?

Assim que terminei o curso, trabalhei em Portugal por seis meses e depois fui para Amesterdão com uma bolsa Leonardo da Vinci, que ajudava jovens arquitetos a entrarem no mercado de trabalho. A ideia era ficar um ano, mas acabei por ficar três. Comecei com tarefas básicas, como fazer maquetes e tirar fotocópias, mas, com o tempo, fui ganhando responsabilidade. No final, já estava a desenvolver conceitos para fachadas e projetos inteiros.

Voltei para Portugal em 2000 e trabalhei quatro anos num escritório multinacional em Lisboa. Entretanto, continuei a viver na casa da minha mãe. Foi então que ela me disse: “João, tens quase 30 anos, precisas de pensar na tua vida.”

E foi aí que decidiu abrir o seu próprio atelier?

Não diretamente. Ainda jogava futsal federado e um ex-treinador convidou-me para jogar numa equipa pequena que queria subir de divisão. Aceitei.

Curiosamente, o presidente desse clube era dono do maior grupo hoteleiro de Lisboa. Eles tinham acabado de comprar o edifício da antiga RTP para o transformar num hotel de cinco estrelas e iam lançar um concurso para escolher o arquiteto. Um professor que conhecia o presidente mencionou que eu era arquiteto. O presidente perguntou-me: “Já fizeste hotéis?” Respondi que sim, mas sempre inserido em equipas de outros ateliers.

Ele disse: “Vou convidar oito ou nove ateliers para o concurso. Tu não tens atelier, mas se quiseres apresentar uma proposta, estás convidado.” Juntei-me a um amigo arquiteto e, depois do trabalho, passávamos as noites a desenvolver a proposta. Surpreendentemente, ganhámos! Foi assim que, em 2004, abri o meu atelier com esse projeto, que acabou por ser concluído em 2008.

Então, o futebol acabou por ser determinante para a sua carreira...

Sim! Ironia do destino: a minha mãe dizia que “a vida não é só futebol”, mas foi graças ao futebol que tive esta oportunidade.

Hoje, o atelier trabalha mais com que tipo de projetos?

Atualmente, cerca de 80% do nosso trabalho é habitação. Fazemos desde pequenas remodelações a projetos de grande escala, como edifícios de 150 apartamentos ou empreendimentos inteiros. Temos também projetos de habitação de luxo, casas na Quinta da Marinha, no Restelo… Mas não nos limitamos a um segmento específico. Já fizemos restaurantes, hotéis e escritórios.

A maior diferença entre projetar habitação comum e habitação de luxo não é só o orçamento, mas o próprio cliente. Há clientes com pouco dinheiro que confiam totalmente no arquiteto e querem ser surpreendidos. E há clientes de luxo que, apesar do grande orçamento, querem impor demasiadas ideias, muitas vezes baseadas no que viram em revistas. Isso pode limitar a criatividade do arquiteto.

O essencial num projeto é manter um conceito forte e coerente. Se há demasiadas influências externas, corre-se o risco de criar um espaço que parece uma manta de retalhos e que rapidamente se torna cansativo.

Quer saber mais sobre a vida e carreira de João Tiago Aguiar? Continue a seguir as nossas publicações para ficar a par das suas inovações e projetos emocionantes!