No dia 1 de julho de 2025, a Assembleia Municipal de Lisboa tomou uma decisão histórica ao aprovar a permuta de um terreno camarário localizado em Benfica. O objetivo? A construção de um centro intergeracional que visa unir todas as faixas etárias, além de promover a habitação acessível. Esta proposta foi impulsionada pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, do PSD, e agora a cidade espera por um futuro mais inclusivo.

A proposta, que recebeu apoio maciço de partidos como o PSD e o CDS-PP, encontrou resistências, sobretudo do BE e do Livre. A permuta em questão permitirá a troca de um terreno situado na Quinta das Garridas, em Benfica, por dois edifícios que pertencem à Irmandade do Santíssimo Sacramento da Igreja da Vitória. Estes edifícios estão localizados na icónica Baixa Pombalina e na Graça, cada um destinado a projetos distintos que têm como foco a inclusão social e o apoio a diferentes grupos etários.

Um passo em frente para a habitação acessível

Com a operação de permuta, Lisboa vai criar um novo quarteirão de habitação acessível na Baixa Pombalina, direcionado principalmente para jovens profissionais e trabalhadores deslocados, como polícias, enfermeiros e professores. No total, estão previstas a construção de duas estruturas intergeracionais sem fins lucrativos, uma na Graça, focada no apoio de seniores e estudantes universitários, e a outra em Benfica, que terá capacidade para 120 idosos e uma creche.

Embora a proposta tenha sido elogiada por muitos, não faltaram vozes críticas. O deputado da IL, Rodrigo Mello Gonçalves, questionou a lógica financeira por trás desta ação, afirmando que a cidade perderá 120 camas de assistência e argumentando que o gasto de milhões na reabilitação dos edifícios não se justifica se apenas irá abranger cerca de 20 famílias.

Compromisso com o bem-estar da população sénior

Durante a Assembleia, Hugo Gaspar, do PS, chamou à atenção para o papel histórico da Irmandade do Santíssimo Sacramento, uma instituição sem fins lucrativos dedicando-se ao acompanhamento dos idosos carenciados desde o século XVI. A vereadora da Habitação e Obras Municipais, Filipa Roseta, garantiu que o edifício da Baixa, atualmente em mau estado, será recuperado, prologando assim a presença da Irmandade em Lisboa e assegurando recursos para a resposta à população idosa.

A permuta implica um investimento significativo, estimando-se que a Irmandade receberá um terreno valorado em 1,8 milhões de euros, em troca de prédios avaliados em 13,78 milhões de euros. Para equilibrar este diferencial, que poderá somar até 11,88 milhões de euros, o município de Lisboa compromete-se a pagar em numerário na ocasião da celebração do contrato, com o valor a ser atualizado conforme o índice de preços do INE.

Uma nova era para a habitação em Lisboa

A decisão da Câmara de Lisboa de avançar com esta permuta é um passo inovador no caminho da urbanização e do apoio à habitação acessível. A colaboração entre o setor público e instituições sem fins lucrativos é fundamental para desenvolver soluções que respondem, efetivamente, às necessidades habitacionais da cidade. Assim, Lisboa prepara-se para se tornar um exemplo a seguir em termos de inclusão e apoio à população sénior enquanto busca uma solução para a escassez de habitação acessível.

Esta permuta não é apenas uma questão de troca de propriedades, mas representa um compromisso mais profundo com o futuro da cidade e o bem-estar dos seus cidadãos. Com a construção de centros intergeracionais e habitação acessível, Lisboa dá um passo em frente, buscando um futuro mais coeso e solidário.